A parceria foi impulsionada pelo projeto Cientistas de Alcântara da UFMA, que visa promover a integração da comunidade com a ciência

 

Com o intuito de aproximar a comunidade de Alcântara do campo da ciência espacial, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e a Innospace, em colaboração com a Força Aérea Brasileira e a Agência Espacial Brasileira, celebraram o primeiro contrato comercial no Brasil para o lançamento de um picossatélite em Alcântara. A assinatura ocorreu na sexta-feira, 10, no Salão Nobre do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

A parceria é parte do projeto Cientistas de Alcântara, que tem por objetivo promover uma maior compreensão e participação da comunidade em atividades aeroespaciais, além de gerar empregos e desenvolvimento de tecnologias na região.  Desse modo, foi estabelecida uma parceria estratégica com duas empresas privadas, a Innospace e a PION, visando impulsionar o programa espacial brasileiro. No que tange à Innospace, foi firmado um contrato comercial para o lançamento do Picossatélite em março de 2025 no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

No que diz respeito à PION, encontra-se em fase avançada a negociação de um Acordo de Cooperação para o fornecimento, desenvolvimento e configuração do Picossatélite, envolvendo tanto os alunos quanto os professores da comunidade de Alcântara.

Tanto a fabricação como o lançamento contarão com a participação ativa dos moradores de Alcântara, que terão acesso às instalações do CLA.

O reitor da UFMA, Fernando Carvalho, salienta que o acordo reflete o compromisso da Universidade, do Governo e das empresas, com o desenvolvimento local e a promoção da educação científica, capacitando os jovens e fomentando a inovação tecnológica no país. “Este é um momento importante para a UFMA, a indústria e o governo, mas, principalmente, para a população alcantarense, que se beneficia do avanço do conhecimento, da tecnologia e da inovação. A conquista representa uma sinergia entre diferentes setores: o Governo, representado pela Força Aérea Brasileira e pela Agência Espacial Brasileira; a Indústria, com a participação da Innospace e da PION; e a Academia, com o envolvimento da UFMA. Essa união demonstra como a colaboração entre esses segmentos pode resultar em avanços significativos para a sociedade. Agradeço ao Coronel Clóvis, diretor do CLA, a recepção do evento e parceria, e também aos representantes da indústria e educadores do município de Alcântara”, expressa.

Para o professor da UFMA e vice-coordenador do projeto Cientistas de Alcântara, Alex Oliveira, o contrato entre a Universidade e as empresas simboliza um avanço significativo no espaço da ciência. “A celebração do contrato de lançamento de satélites firmado entre a Innospace e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) representa um marco importante para o florescimento das atividades comerciais espaciais no Brasil. Esse acordo não apenas sinaliza um avanço significativo, mas também abre caminho para uma série de colaborações futuras. Um exemplo relevante é o Acordo de Cooperação Técnica entre a PION e a UFMA, que visa à construção de um satélite com a participação ativa de alunos e professores das escolas públicas de Alcântara e da própria UFMA”, frisa.

Projeto Cientistas de Alcântara

O projeto Cientistas de Alcântara tem por objetivo estimular o interesse de estudantes e docentes de quinze escolas públicas parceiras em Alcântara, incluindo a sede e doze comunidades, no desenvolvimento de pesquisas de iniciação científica pela abordagem STEAM. Esse enfoque se concentra em tecnologias espaciais e suas aplicações, visando promover a sustentabilidade e o desenvolvimento de arranjos produtivos na região. O respeito pela comunidade de Alcântara e pelos profissionais do setor aeroespacial, incluindo o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e empresas da área, tem sido o principal guia na condução das atividades do projeto.

No primeiro momento, a realização de uma escuta qualificada, com moradores, profissionais da educação e alunos, tanto da sede de Alcântara como de doze comunidades, permitiu que pesquisadores e alunos da UFMA participantes do projeto aprendessem sobre suas necessidades e características locais. A inclusão e o diálogo com as comunidades são passos importantes para a identificação dos moradores com o projeto Cientistas de Alcântara, além da construção de materiais educacionais técnicos (programação e satélites) personalizados às demandas locais.

No entanto, o projeto não está restrito à capacitação tecnológica, mas na realização de atividades impactantes tanto para os moradores de Alcântara como para os profissionais do CLA. Dessa forma, prevê-se a participação de alunos e professores de Alcântara na construção e configuração de artefatos orbitais (Picossatélites) para lançá-los em órbita.

“A UFMA tem demonstrado uma participação efetiva e inovadora no setor espacial, e, entre as suas diferentes ações, evidencia-se o Projeto Cientistas de Alcântara. Essa iniciativa educacional, que harmoniza o ensino de tecnologias espaciais com a valorização da cultura local, elucida a sinergia produtiva entre educação, governo e indústria na promoção do avanço científico espacial. Esse progresso é alcançado com base no respeito e na personalização de materiais educacionais, reforçando a importância da inclusão e da diversidade no campo da educação espacial. Dessa forma, os alunos e os professores de Alcântara podem aprender sobre satélites e outras tecnologias espaciais com protagonismo, teoria, praticidade e observações em laboratórios de diferentes instituições, públicas e privadas”, conclui o vice-coordenador do projeto, Alex Oliveira.

Por: Sarah Dantas

Fotos: Gabriel Pereira

Revisão: Jáder Cavalcante

DEIXE UMA RESPOSTA