Antecipado para esta sexta-feira, 15/05, o feriado no estado do Maranhão que se comemora normalmente no dia 28 de julho, se refere à Adesão do Maranhão à Independência do Brasil.
A medida foi adotada para reforçar o isolamento social e evitar a disseminação maior do coronavírus, ou seja, o feriado não é para as pessoas viajarem. E, sim, para que fiquem em casa. As entradas e saídas de São Luís vão continuar bloqueadas.
A antecipação só vale para este ano e não impede que, em 28 de julho, sejam realizadas as comemorações pela data. Apenas não será feriado.
A antecipação do feriado havia sido estabelecida antes da decisão da Justiça que estendeu o lockdown na Ilha de São Luís até o domingo, 17/05. A decisão foi tomada nesta terça-feira, 12/05, pelo Poder Judiciário e foi acatada pelo Governo do Maranhão.
DIA 28 DE JULHO
Adesão do Maranhão: 196 anos de história
São Luís era conservadora e avessa aos comandos vindos do Rio de Janeiro capital do Brasil Imperial
Maranhão foi o último estado do Brasil a aderir a independência do Brasil em relação a Portugal. À época, o Maranhão era uma das mais ricas regiões do Brasil. O intenso tráfego marítimo com a Metrópole, justificado pela maior proximidade com a Europa, tornava mais fácil o acesso e as trocas comerciais com Lisboa do que com o sul do país. Os filhos dos comerciantes ricos estudavam em Portugal.
São Luís era conservadora e avessa aos comandos vindos do Rio de Janeiro capital do Brasil Imperial, por ter interesse em continuar com as relações com Portugal por conta das situações política e econômica. A ilha que era tradicional reduto português foi bloqueada por mar e ameaçada de bombardeio pela esquadra do Lord Cochrane (foto abaixo), sendo a província obrigada a aderir à Independência em 28 de julho de 1823.

Thomas Cochrane, escocês, foi quem chefiou a esquadra de guerra da Marinha Brasileira. Como ele venceu a batalha, entrou para a história também como o primeiro marquês do Maranhão. O fato ocorreu há exatos 196 anos.
Por conta do fato histórico, a data inspirou a Lei Estadual 2.457, que trata sobre o feriado de 1964, mas, até 2014, o feriado era pouco conhecido, tanto que a iniciativa privada não alterava a rotina. A partir de 2015, isso passou a ser fiscalizado pelas autoridades competentes e este feriado estadual não ficou mais restrito apenas às repartições públicas.
Para Manoel de Jesus Bastos Martins, professor assistente do Departamento de História da Universidade Federal do Maranhão, a resistência à adesão tem a ver da forma que a Capitania do Maranhão está veiculada diretamente à Lisboa durante todo o período colonial ao lado do estado do Brasil.
Segundo o estudioso, essa circunstância da algum grau de identidade a região em relação a Portugal. “Quando o Brasil declarou a independência, o Maranhão e o norte em geral não se sentiu contemplado por esse objetivo. Então, aqui houve subelevação e a comunidade pró-Portugal na região foi a luta contra essa decisão de ser independente que o Brasil colocou em primeira ordem”, explicou Manoel de Jesus.
O termo oficial de adesão do Maranhão à independência do país foi assinado no dia 7 de agosto de 1823, na cidade de Caxias, distante 368 km de São Luís. A solenidade foi na Igreja da Matriz. “O termo oficial da adesão tem a ver com o fato das guerras pela independência do Maranhão serem travadas fundamentalmente no interior. Isso se deveu ao vencimento das batalhas na região de Caxias, que teve uma vitória grande para as forças pró-Brasil que aprisionaram seu chefe maior o general Fidé. E o termo foi assinado em decorrência do fim da gerra naquela região”, ressaltou o professor.
Manoel de Jesus Bastos Martins acrescentou ainda que foi da Junta Governativa da Capital, São Luís, que partiu a iniciativa da repressão ao movimento da Independência no Piauí. A Junta controlava ainda a região produtora do vale do rio Itapecuru, onde o principal centro era a vila de Caxias. Esta foi a localidade escolhida pelo Major Fidié para se fortificar após a derrota definitiva na Batalha do Jenipapo, no Piauí, imposta pelas tropas brasileiras, compostas por contingentes oriundos do Piauí e do Ceará. Fidié teve que capitular, sendo preso em Caxias e depois mandado para Portugal, onde foi recebido como herói. “O que ao longo do tempo ficou a reboque é que essa data não foi cultivada como quase sempre todos os países que não cultivam sua data por excelência. O dia 28 de julho ficou como data referência porque a partir dali o Maranhão passou a fazer parte do Brasil, e por consequência deixou de ser fazer parte de Portugal. É uma data referencial, é uma data simbólica para o maranhense queiramos ou não”, enfatizou o professor.
Fonte: O Imparcial














