Especialistas e organizações que atuam na área da educação comentaram a medida provisória que altera o ensino médio no país. Eles comentam que a flexibilização do currículo é positiva, mas que a forma de implementação das mudanças não está clara e criticam o uso de medida provisória (MP).

Publicada dia 23/09, no Diário Oficial da União, o texto reduz pela metade as disciplinas obrigatórias, e abre possibilidade do aluno escolher as áreas que quer estudar para preencher a outra metade da carga horária.

A medida ainda prevê ampliar de 800 para 1.400 horas anuais de aula, o que alcançaria sete horas diárias.

O ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e professor de economia da USP Reynaldo Fernandes considera que a flexibilização do currículo é algo positivo.

No entanto, ele tem dúvida de como será possível oferecer vários caminhos de ensino ao aluno com a infraestrutura das escolas atuais.

Segundo a nova regra, o aluno poderá escolher entre cinco áreas para seguir além das matérias obrigatórias: ciências da natureza, ciências humanas, matemática, linguagem e cursos técnicos e profissionais.

A presidente da organização Todos pela Educação, Priscila Cruz, destaca que as mudanças no ensino médio são bem-vindas, mas também tem dúvidas sobre como essa flexibilização será aplicada.

Já o coordenador-geral da Campanha Nacional pela Educação, Daniel Cara, critica a profissionalização precoce, a possibilidade de se retirar do currículo algumas disciplinas, como educação física e artes, e lamenta que a mudança tenha sido feita por medida provisória.
Matemática, inglês e português são as únicas disciplinas necessariamente obrigatórias no ensino médio, segundo a medida provisória. Outras disciplinas, como educação física e artes podem se tornar optativas.

O Currículo Nacional comum vai ser definido pelo Conselho Nacional de Educação e as novas regras só devem entrar em vigor a partir de 2018.

Como é medida provisória, ela vale imediatamente, mas precisa ser aprovada em até 120 dias, pelo Congresso Nacional, para não perder o valor.

Fonte: Radioagência Nacional

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