O governador Flávio Dino (PCdoB) é o entrevistado da revista Istoé Dinheiro que chega às bancas neste fim de semana, na qual avisa que será candidato à reeleição em 2018, se “estiver vivo”; alerta que o funcionalismo público pode ficar sem reajuste de salário em 2017; que é amigo dos maiores empresários do Maranhão; e que o ex-presidente Lula é a sua referência de esquerda.

Após uma hora de entrevista, o jornalista Luís Artur Nogueira diz ter ficado com a impressão de que as ideias liberais têm mais espaço no governo do Maranhão do que as propostas comunistas.

Ao analisar a crise econômica dos estados, o governador cita como exemplo os gastos com saúde. “Nós gastamos R$ 25 milhões para construir um hospital que hoje custa R$ 3 milhões por mês de manutenção. Em um ano, portanto, o gasto de funcionamento é maior do que o total gasto na construção”, diz ao mencionar que todo investimento público vira custeio.

Indagado sobre os com pessoal, incluindo aposentados, Flávio Dino vangloria-se de não ter reajustado a folha dos servidores. “Eu, por exemplo, dei reajuste zero aos servidores neste ano”. Indagado por que “reajuste zero”, ele explica:

“Porque eu precisava equilibrar contas. Antecipei o ajuste fiscal. Reuni os sindicatos e fui pessoalmente à Assembleia Legislativa explicar a situação. Eu usei um crédito político para viabilizar esse ajuste. Por que agora preciso fazer outro? Nós, governadores do Nordeste, não somos contra o ajuste fiscal, mas queremos que se leve em conta o que já foi feito em anos anteriores. Eu cortei mais de R$ 300 milhões em custeio em 2015. Se eu disser que todas as contas estão em dia não será verdade. Mas as contas principais estão em dia, com hospitais funcionando e com o pagamento das nossas dívidas internas e externas, e os servidores”.

Sobre os aumentos de impostos, ele diz que elevou o ICMS, de 17% para 18% e reajustou uma cesta de produtos como isotônicos, água mineral, cosméticos, bebidas alcoólicas e refrigerantes. renegociei contratos. Já fizemos um sacrifício.

Quanto ao aumento de salários em 2017, ele foi impreciso: “Ainda estamos fazendo contas. Depende da votação do projeto de lei de alongamento da dívida com a União e o BNDES. Se aprovado, nos dará uma folga de caixa pequena de R$ 200 milhões que, eventualmente, pode ser utilizada para aumentar o salário de algumas categorias. Não há condições de fazer um reajuste geral”.

Flávio Dino diz também estar surpreso com o governo de Michel Temer, ao ser indagado se estaria decepcionado e que é suspeito para avaliá-lo porque era contra o impeachment de Dilma. “Decepcionado é uma palavra que pressuporia ter altas expectativas. Eu diria que estou surpreso. Não é o que eu achava que ele faria, porque ele tem uma experiência parlamentar. Como eu fui notoriamente contra o impeachment, eu sou insuspeito para fazer o seguinte diagnóstico. Quando é feito o impeachment, o governo ganha um crédito de energia vital. Embora pequeno, é um crédito importante. Mas acho que o governo está dissipando essa energia vital que ele adquiriu com o impeachment”.

Resultado de imagem para flavio dino na fiema

Flávio Dino reunido com os presidentes das entidades empresariais: “são meus amigos”

Lava Jato – Sobre a Operação Lava Jato, o governador criticou o curso que vem sendo dada a ela. “É uma operação que começou corretamente e que cumpriu um papel importante para o País na elucidação de problemas graves, sobretudo na Petrobras. Mas, de uns tempos para cá, a meu ver, acabou incursionando em caminhos que levaram a questionamento muito agudo de determinadas atitudes. Sobretudo um certo uso de heterodoxia jurídica, que não é bom para o País e coloca em xeque um princípio, que é fundamental, inclusive, para o mundo dos negócios, que é o da segurança jurídica. Se o agente público de plantão pode fazer regras ao seu gosto, isso não interessa ao País. Há exageros. Exemplifico com as prisões preventivas que são utilizadas para extrair delação premiada. Há uma jurisprudência nunca antes vista no Brasil. Eu fui juiz por 12 anos e posso afirmar isso”.

Indagado sobre o que move a economia do Maranhão, Flávio Dino diz que grande parte vem do agronegócio, “incluindo a agricultura familiar”, e diz ainda que o estado é favorecida pela logística, com “o melhor complexo portuário do Brasil, um público e dois privados, e três ferrovias. É um hub logístico que gera efeitos virtuosos na economia do Estado. O nosso porto público, aliás, é moderno e com ótima gestão”.

Sobre suas relações com o empresariado, Flávio Dino diz que o capital privado não é nenhum tabu. “De jeito nenhum. Pelo contrário. Converso com os maiores empresários do Estado. Eles são meus amigos (risos). Investimento público não é suficiente”.

Não poderia falta um comentário sobre a família Sarney. “Qual o seu relacionamento com a família Sarney?”, indaga o repórter. “São nossos adversários políticos. Eles combatem ferozmente o nosso governo, diariamente, com um grupo de mídia bastante amplo (o principal veículo é a TV Mirante, afiliada da TV Globo no Maranhão). Nós temos uma visão de que os recursos públicos não são patrimônio de poucos e eles praticaram exatamente isso, o que explica a concentração de riqueza no Maranhão e os piores indicadores sociais do País”, responde o governador.

[pro_ad_display_adzone id="1326"]

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

quatro + 1 =