Indígenas têm produção agropecuária diversificada, com mais mulheres produtoras e menos agrotóxicos

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    Indígenas têm produção agropecuária diversificada, com mais mulheres produtoras e menos agrotóxicos

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    • Dados do Censo Agro 2017 mostram que a região Norte concentra a maior proporção de produtores rurais indígenas (5%). Entre os estados, Roraima (33,63%), Amazonas (20,43%) e Amapá (10,96%) têm as maiores proporções.
    • Estabelecimentos indígenas têm maior proporção de mulheres na sua administração (25,90%). Além disso, 27,99% dos produtores indígenas têm menos de 35 anos de idade.
    • Na horticultura, os estabelecimentos com produtores indígenas se destacam pela produção de pimenta, enquanto nos demais grupos de cor ou raça, a alface predomina.
    • Na lavoura temporária, o produto mais cultivado pelos indígenas é a mandioca, enquanto entre brancos, pardos, pretos e amarelos predomina o milho em grão.
    • Cerca de 88,01% dos estabelecimentos dirigidos por indígenas não utilizam agrotóxico, a maior proporção entre os cinco grupos de cor ou raça do produtor. Por outro lado, somente 8,4% desses estabelecimentos receberam assistência e orientação técnica, a menor proporção.
    • Produtores ou cônjuges pretos ou pardos estão em 55,12% dos estabelecimentos recenseados, com maiores proporções nas regiões Nordeste (74,42%) e Norte (73,50%). Os destaques estaduais são do Pará (80,84%), Piauí (80,28%) e Bahia (76,43%)
    • O Censo Agropecuário 2017 investigou pela primeira vez a cor ou raça dos produtores e de seus cônjuges, oferecendo estatísticas desagregadas nos recortes de Terras Indígenas e algumas ca-tegorias de Unidades de Conservação.

    O IBGE divulga hoje um novo módulo do Censo Agro 2017 detalhando as principais características dos estabelecimentos agropecuários e extrativistas segundo os grupos de cor ou raça dos seus produtores. A publicação também traz recortes territoriais específicos, sobre as Terras Indígenas espalhadas pelo país e para algumas categorias de Unidades de Conservação – Reservas Extrativistas (RESEX), Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e as Florestas Nacionais, Estaduais e Municipais.

    Entre os 5,1 milhões de produtores encontrados pelo Censo Agro 2017, 45,43% se declararam brancos, 44,47% se disseram pardos, 8,37% pretos, 1,12% indígena e 0,62% amarelo. Os maiores percentuais de produtores indígenas estavam nas regiões Norte (5,0%) e Centro-Oeste (1,29%). Entre as Unidades da Federação, Roraima (33,63%), Amazonas (20,43%), Amapá (10,96%), Acre (6,09%) e Mato Grosso do Sul (4,52%) tinham as maiores proporções de produtores indígenas.

    O Nordeste e o Norte são as regiões do país com as maiores proporções de produtores de cor ou raça preta, respectivamente, 11,61% e 9,65%. Entre os estados, destaque para Bahia (15,75%), Amapá (14,63%), Maranhão (14,14%), Tocantins (13,55%) e Piauí (12,41%).

    Os estabelecimentos com produtores indígenas têm as taxas mais elevadas de participação de mulheres entre os produtores (25,90%), seguido por produtores de cor ou raça preta (24,57%) e parda (21,18%). Cerca de 27,99% dos produtores indígenas, têm menos de 35 anos de idade. A média de idade dos produtores indígenas é de 45,4 anos, enquanto os brancos apresentam média de 54,7, seguidos dos amarelos com 54,3, pretos com 53,2 e dos pardos com 51,7 anos.

    Os estabelecimentos dirigidos por produtores ou cônjuges pretos ou pardos compõem 55,12% dos estabelecimentos recenseados, com maiores proporções no Nordeste (74,42%) e Norte (73,50%). Os destaques estaduais são do Pará (80,84%), Piauí (80,28%) e Bahia (76,43%).

    Os maiores percentuais de pessoas ocupadas com laços de parentesco com o produtor aparecem em estabelecimentos com produtores indígenas (93,07%), pretos (86,28%) e pardos (82,59%), enquanto os menores percentuais estão em estabelecimentos com produtores que se declararam amarelos (54,10%) e brancos (70,61%).

    Agricultura indígena: menos agrotóxico, mais diversidade de produtos

    O Censo Agro 2017 mostra que os estabelecimentos dirigidos por indígenas têm produção mais diversificada (43,24% classificados como diversificados e muito diversificados), segundo a classificação de grau de especialização da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO, enquanto nos estabelecimentos cujos produtores se declararam amarelos a produção é mais especializada (29,89% classificados como super especializados), ou seja, concentrada em um leque menor de produtos.

    88,01% dos estabelecimentos dirigidos por indígenas não utilizaram agrotóxico. Essa taxa é menor em estabelecimentos administrados por produtores pretos (76,86%), pardos (74,73%), amarelos (59,56%) e brancos (55,88%).

    Nos estabelecimentos com produtores indígenas, apenas 8,4% afirmaram ter recebido orientação e assistência de técnico especializado em agropecuária. Juntamente aos dirigidos por pretos (9,57%) e pardos (10,83%), estes estabelecimentos foram significativamente menos atendidos por assistência técnica que os dirigidos por brancos (31,12%) e amarelos (28,03%).

    Os produtores indígenas são os que mais utilizam sementes comuns e de própria produção (74%), com pretos e pardos (ambos com 53%), brancos (36%) e amarelos (31%) a seguir.

     

    Fonte: Censo IBGE 2017

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