Sínodo pode abrir espaço para mulheres na Igreja Católica

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    Foto: Reuters

    Encontro de religiosos e laicos do Vaticano começa nesta quarta com chance de reformar a instituição ou aprofundar divisões.

    Começa nesta quarta-feira,  04/10, no Vaticano, a 16ª edição da Assembleia do Sínodo dos Bispos, convocada pelo papa Francisco para debater o futuro da Igreja Católica. Após uma consulta que pretendeu ouvir fiéis do mundo todo, e que durou quase dois anos, esta etapa é a última e mais delicada: caberá à assembleia discutir e sintetizar visões sobre as prioridades indicadas pelos católicos.

    Pelas próximas três semanas, 464 participantes, entre bispos, cardeais, religiosos e laicos, vão se debruçar sobre temas como a maior participação das mulheres, inclusive o acesso delas ao diaconato, e como se aproximar de grupos marginalizados, como divorciados em segundo casamento e pessoas LGBTQIA+. Também tratarão da
    ordenação de homens casados e de prevenção de abusos sexuais e de poder por parte do clero.

    Grupos reformistas e em defesa da igualdade de gênero organizam eventos paralelos nas próximas semanas em Roma, como forma de pressionar. O Spirit Unbounded (espírito ilimitado) realiza um “sínodo laico”, focado em direitos humanos, enquanto a Women’s Ordination Conference (conferência de ordenação de mulheres) faz atos pela inclusão feminina.

    A questão das mulheres promete ser um dos tópicos mais controversos. Segundo a pauta de trabalho, que concentra os temas citados na fase de escuta e serve de base para a reunião, “todas as assembleias continentais” pedem que seja abordada a questão da participação das mulheres em todos os níveis da Igreja, incluindo a tomada de decisões.

    Além disso, mostra que “a maior parte” das etapas continentais do sínodo e “numerosas” conferências episcopais pedem que seja considerada a questão do diaconato feminino. O documento lança a pergunta: “Como se pode encarar essa questão?”.

    O diaconato é o primeiro grau dentro da hierarquia eclesiástica e tem a função de auxiliar o padre e o bispo. Ele exerce papel pastoral e pode batizar, fazer casamento, celebrar liturgias, mas não confessar nem administrar a comunhão.

    Segundo Phyllis Zagano, professora de religião da Hofstra University, nos EUA, evidências mostram que o diaconato para as mulheres vigorou em grande parte do Ocidente até o século 12. Depois disso, se tornou um passo para a ordenação de padres, vetando o acesso a elas. “Está claro que a Igreja universal pede a restauração das mulheres ao diaconado ordenado. Se a Igreja precisa do verdadeiro ministério dos
    diáconos, então precisa recuperar a tradição das diaconisas”, afirma Zagano.

    Certo é que, ao menos neste sínodo, as mulheres podem celebrar a conquista de uma participação mais decisiva, algo que foi alvo de protestos no Sínodo da Amazônia, em 2019. Por decisão de Francisco, elas poderão votar para aprovar o relatório final da assembleia, que será entregue ao papa. Dos 464 participantes, 81 são mulheres destes,
    365 têm direito a voto, sendo 54 mulheres. Será o primeiro sínodo com voto feminino.

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