Queda de cabelo e microbiota intestinal

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    Entenda como a desregulação da microbiota intestinal pode estar relacionada com a queda de cabelo e a importância do diagnóstico médico.

    A queda de cabelo pode estar relacionada a diferentes aspectos que vão desde tendências genéticas e doenças autoimunes até estresse, alimentação e sim, composição da microbiota intestinal.

    O que é a microbiota intestinal?

    A microbiota intestinal, também chamada de flora intestinal, refere-se a comunidade de microrganismos, especialmente bactérias, que vivem no trato digestivo.

    Ela começa a ser desenvolvida no nascimento, quando o bebê entra em contato com as bactérias maternas. A amamentação com leite materno nos primeiros meses de vida, por exemplo, é um importante fator que influencia a constituição futura da microbiota do indivíduo.

    Na vida adulta, estima-se que a microbiota intestinal seja formada por trilhões de micro-organismo com mais de mil espécies diferentes e represente até 2 quilos do peso corporal.

    A microbiota intestinal, ou seja, esse conjunto de micro-organismo produz e libera enzimas que atuam na digestão ajudando, por exemplo, a digerir alimentos que não foram digeridos no estômago e intestino delgado.

    Além disso, uma função central da microbiota é regular a absorção de nutrientes ingeridos na alimentação e mesmo de suplementos.

    Como a queda de cabelo se relaciona com a microbiota intestinal?

    A microbiota intestinal tem um papel central em diferentes processos do corpo humano.

    Um exemplo é que especialistas estimam que cerca de 70% das células do sistema imunológico estão, de alguma forma, relacionadas ao trato gastrointestinal. Mesmo nosso sistema nervoso se comunica diretamente com essa parte do nosso corpo.

    Entretanto, quando o assunto é a relação entre queda de cabelo e microbiota intestinal o que se sobressai é a capacidade do organismo de absorver nutrientes.

    A queda de cabelo por déficit nutricional ou por anemia (déficit de ferro) é chamada de eflúvio telógeno.

    Nesses casos, o quadro é desencadeado quando o organismo não envia nutrientes suficientes para o couro cabeludo.

    Esse déficit aciona um sinal vermelho no corpo de que se está operando com menos nutrientes que o necessário e funções não essenciais, como o crescimento capilar, devem ser reduzidas.

    Ocorre então a antecipação da fase de queda do cabelo do ciclo capilar – fase telógena.

    Nesse momento, os cabelos ficam mais suscetíveis à queda e podem apresentar outras características como falta de viço, quebradiço e fraco.

    O déficit nutricional relacionado à queda de cabelo pode estar relacionado à má qualidade da alimentação, como com a falta de ingestão de alimentos nutritivos, como frutas, verduras, legumes, cereais, grãos, oleaginosas e outros.

    Entretanto, o déficit nutricional pode estar relacionado a alterações na microbiota intestinal que alteram a capacidade do organismo de absorver e sintetizar os nutrientes.

    A disbiose, por exemplo, é uma doença autoimune caracterizada pelo desequilíbrio da microbiota intestinal e uma menor capacidade de absorção de nutrientes devido ao prejuízo a eficiência da digestão.

    O resultado é que o intestino se torna mais suscetível a toxinas, microrganismos patógenos e proteínas mal digeridas.

    Assim, a disbiose causa prejuízos à digestão de forma geral e, indiretamente, a outros processos do corpo que dependem dos nutrientes, como o crescimento capilar.

    Outra forma pela qual a microbiota intestinal se relaciona com a saúde capilar deve-se aos mecanismos imunes.

    A desregulação da microbiota intestinal pode resultar na supressão ou ativação do sistema imunológico e provocar o acúmulo de linfócitos, aumentando a produção de citocinas.

    O excesso de citocinas leva a um quadro inflamatório que pode afetar o folículo piloso e resultar na queda de cabelo.

    Como tratar a queda de cabelo?

    A saúde capilar está diretamente associada à saúde como um todo e a microbiota intestinal desempenha um papel central nessa área.

    Assim, a desregulação da microbiota intestinal pode ter a queda de cabelo como um efeito adverso.

    Apesar disso, essa relação pode ocorrer devido a diferentes fatores, desde um quadro de disbiose até má alimentação.

    Dessa forma, antes de iniciar o tratamento da queda de cabelo em si é indispensável investigar quais são as causas do problema que estão provocando, como efeito colateral, a queda de cabelo.

    O tratamento apenas da queda de cabelo, sem identificar e tratar as causas do problema, vai ser ineficiente, não apresentando resultados satisfatórios.

    Assim, mesmo que a queda de cabelo seja um problema comum e, geralmente, de simples resolução, ela pode estar relacionada com processos mais complexos do organismo e que exigem atenção especializada.

    A relação entre microbiota intestinal, déficit nutricional e outras suspeitas com a queda de cabelo deve ser investigada e tratada por um médico especialista.

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