Pesquisadores visitam comunidades quilombolas para realizar levantamento de artefatos que serão exibidos no Museu de Alcântara

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    A ação faz parte do projeto ‘Alcântara: Dos Dinossauros à Era Espacial’ que tem por objetivo elaborar a visão narrativa e histórica do Museu de Alcântara

    Na última semana de abril, a equipe de pesquisadores do projeto ‘Alcântara: Dos Dinossauros à Era Espacial’ realizou uma série de visitas às comunidades quilombolas de Alcântara, com o objetivo de realizar um levantamento de materiais produzidos na região que posteriormente serão exibidos no Museu de Alcântara (Musa). A iniciativa é desenvolvida pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proec), em parceria com o Musa e a Fundação Sousândrade. O projeto visa preservar e valorizar a herança cultural de Alcântara.

    As comunidades visitadas foram Itamatatiua, São Raimundo, Oitiua, Brito, Santa Maria, Ponta d’Areia, São João de Cortes e Canelatiua. Durante essas visitas, os especialistas tiveram a oportunidade de interagir com os moradores e descobrir mais sobre os materiais e técnicas desenvolvidos em cada comunidade.

    M“O principal objetivo dessa primeira viagem da equipe de pesquisa sobre povos originários e comunidades tradicionais foi fazer um levantamento inicial das comunidades e dos artesãos e artesãs que trabalham nessas comunidades – as comunidades tradicionais quilombolas de Alcântara. O intuito é fazer um levantamento do que é produzido em cada uma dessas comunidades, do que eles produzem, do que comercializam, as formas de fazer e as formas de comercializar. Além disso, as visitas tiveram a finalidade de aproximar o museu dessas comunidades e para que haja uma contribuição, participação e protagonismo maior das comunidades no resgate e também na aquisição de acervo que será exposto no Museu de Alcântara. Assim, podemos ter, de fato, um processo de curadoria compartilhada onde os próprios artesãos possam estar nos mostrando o que é importante e o que é representativo das suas comunidades para ser colocado em exposição no museu”, explica o especialista em antropologia, João Damasceno Figueiredo.

    Entre os itens que serão incluídos no acervo do Museu de Alcântara estão produtos feitos de cerâmica, redes de pesca, peneiras, redes de arrasto, sacolas, esteiras, bolsas e baião, entre outros produtos típicos de cada comunidade.

    O especialista em arqueologia, Deusdedit Carneiro Leite Filho, detalha o processo das visitas às comunidades e o que já foi coletado inicialmente para exibição no Museu de Alcântara.

    “Estivemos na comunidade de Itamatatiua, que se destaca pela produção centenária de produtos cerâmicos, feitos com a técnica do rolete, de forma artesanal, de grande reconhecimento na região como um todo, cujos produtos são comercializados e cujos artefatos estarão presentes na referida exposição. Tivemos, logo depois, no povoado de São Raimundo, que se destaca na produção de tipiti, balaio e peneira, todos feitos de Guarimã. São tradições também centenárias que a população ainda mantém. Posteriormente, estivemos em Oitiua, cujas atividades ligadas à pesca constituem grande parte do cotidiano dos moradores, onde encomendamos redes de escora, pano de tapagem, além da rede de arrasto. Depois, estivemos em Santa Maria, que se destaca pela produção muito significativa de sacolas, esteiras e bolsas feitas a partir do olho de buriti, trabalho artesanal de muita delicadeza, em que o produto final é comercializado na região também. Fomos também a Brito, onde tivemos contato com artesãos que fabricam a rede tradicional de algodão cru, e tivemos uma passada rápida pelo povoado de Ponta d’Areia, onde contatamos alguns pescadores. Posteriormente, fomos a São João de Cortes, local muito antigo do município, de quase 400 anos, que se destaca exatamente pela rica produção da carpintaria naval, onde estivemos em contato com os artesãos que ainda produzem o boião, embarcação típica da região de quatro metros para estar também representada no museu. Por fim, estivemos em Canelatiua, visitando o museu comunitário que existe na comunidade, bem como encomendamos e documentamos a execução de rede de pesca e do cofo. Ainda tivemos a oportunidade de ir ao farol de Itacolomi, assim como à pedra de Itacolomi, bastante reconhecida em função de seus valores espirituais para toda a comunidade da região”, conta.

    A visita dos especialistas às comunidades quilombolas de Alcântara marca o início de um diálogo contínuo que visa ampliar o impacto cultural, educacional e a valorização histórica, conforme previsto no projeto.

    Projeto Alcântara: Dos Dinossauros À Era Espacial

    A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio da Pró-reitoria de Extensão e Cultura (Proec), em parceria com o Museu de Alcântara (Musa) e com a Fundação Sousândrade, promove o Projeto Alcântara: dos Dinossauros à Era Espacial, que tem por objetivo desenvolver a concepção narrativa e visual do museu, proporcionando uma experiência expositiva única e interativa.

    Com a colaboração de especialistas em história, arqueologia, paleontologia, arquitetura e povos originários, o projeto consiste em uma exposição que conta parte da ocupação do território de Alcântara, contemplando as singularidades do patrimônio histórico, cultural e arquitetônico local. A exibição terá como base uma linha do tempo, fazendo um verdadeiro passeio na história, trazendo detalhes de descobertas paleontológicas no espaço que hoje compreende o território municipal, o modo de vida e as tradições de povos originários e quilombolas, além de aspectos contemporâneos da comunidade alcantarense, sobretudo em relação à base especial instalada na área.

    A exposição será composta por uma variedade de mídias e recursos expositivos, que incluem maquetes de dinossauros, artefatos históricos, modelos em escala, vídeos educativos e simulações interativas. Esses elementos foram criteriosamente selecionados para proporcionar uma experiência imersiva e educativa aos visitantes, permitindo que explorem e compreendam de forma abrangente e integrada a história de Alcântara.

     

    Por: Sarah Dantas

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