Oficina de ovos de Páscoa promove acolhimento e muda rotina de crianças internadas em hospital de São Luís

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    Esta foi uma Páscoa bem diferente para Arya Zafira Valdez Pereira, de apenas 2 anos. Em vez de passar em casa, com orações, almoço especial e a companhia de toda a família, Arya precisou ficar no hospital, internada. “Desde o final de semana, ela começou com vômito e aí veio essa virose. O médico achou melhor ela ficar aqui até melhorar”, conta a avó, a aposentada Maria do Bom Parto de Sousa Pereira. O que Arya não esperava era que, mesmo hospitalizada, teria direito a comemorar a data festiva, inclusive podendo decorar, ela mesma, o ovo de chocolate para o domingo de Páscoa.

    “Quem está doente, fica triste, pode ser criança ou adulto. Mas, na hora que falou do ovo de Páscoa, todos se animaram. Quem estava triste ficou alegre; até os adultos. Numa família que tem uma criança feliz, as outras pessoas ficam felizes também. Até a autoestima vai lá para cima”, contou Maria do Bom Parto.

    A iniciativa é parte das ações de Páscoa realizadas, em todo o país, pelas unidades de pediatria dos hospitais da Hapvida NotreDame Intermédica. Em São Luís, a programação aconteceu no Hospital Guarás, que realizou uma oficina de Decoração de Ovos, organizada pela administração do hospital e pela equipe de Nutrição. As crianças internadas para tratamento médico participaram de uma tarde lúdica. Calda de chocolate, confeitos coloridos e chocolate granulado foram apenas alguns dos itens colocados à disposição da criançada, que mandou ver na criatividade e até esqueceu, por algumas horas, da rotina hospitalar.

    PÁSCOA CONSCIENTE

    A nutricionista do Hospital Guarás, Letícia França, explicou que o momento também ajuda a desenvolver, de forma lúdica, a coordenação motora e aprofundar o contato com os alimentos. “Todo esse processo de brincar, se sujar, sentir as diferentes texturas dos alimentos, ajuda a desenvolver diversas habilidades. O fato de tudo ser uma grande brincadeira também ajuda a criança a se sentir feliz e acolhida, e quebra um pouco a rotina de hospital”, contou a especialista.

    Vale lembrar que, devido à condição médica, nem todas as crianças puderam degustar imediatamente os ovos decorados. Mas isso não impediu a diversão. “Foi tudo negociado. Elas sabem que vão guardar e comer quando o médico liberar. Até esse momento de fazer acordos, de a criança ser capaz de entender, é uma maneira também de exercitar a alimentação de forma consciente. O nosso sentimento é só de gratidão por poder proporcionar esses momentos”, afirmou Letícia.

    Para a diretora do Hospital Guarás, Wildilene Rolim, é visível a diferença que iniciativas desse tipo fazem no tratamento, contribuindo, inclusive, para a recuperação de forma mais ágil. “As crianças chegaram aqui todas caladinhas, tímidas, e logo começaram a falar umas com as outras e brincar. A sensação é de missão cumprida, de ver que, mesmo num ambiente hospitalar que pode parecer frio, conseguimos proporcionar acolhimento e cuidado. Momentos assim contribuem para amenizar a dor de todos”, disse ela.

    Emanuelle Reis do Santos Moreira tem apenas 3 anos e está em tratamento oncológico contra a leucemia. No dia da oficina, ela havia passado por um procedimento médico, mas, mesmo assim, fez questão de participar da programação. “Ela estava triste, com dor, mas acordou pedindo para ir montar os ovos de Páscoa. Quando ela chegou aqui, interagiu com outras crianças, ficou feliz e parece até esqueceu um pouco da dor. Com certeza esse momento ajudou bastante. Ela se alegrou e a felicidade dela é também a minha”, conta a mãe, a autônoma Dayanne de Fátima dos Santos Moreira.

     

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