No Brasil, ‘gatos’ dariam um time de futebol inclusive com técnico

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    O zagueiro Brendon Matheus Araújo Lima dos Santos, do time de juniores do Paulista, será investigado pela Federação Paulista de Futebol sob suspeita de ter adulterado o nome e a idade para jogar a Copa São Paulo de futebol júnior. A reportagem da ESPN apresentou documentos que comprovam que ele é, na verdade, Matheus Cardoso Rodrigues, tem 22 e não 19 anos e, portanto, é o mais novo caso de ‘gato’ no país.

    A expressão é antiga, com origem desconhecida, mas os casos são bem mais comuns do que aparentam. No Brasil, um rápido levantamento do ESPN.com.br conseguiu formar um time com 11 jogadores e mais um treinador. Confira abaixo:

    • Henrique

    Lateral direito da base do São Paulo, ele forjou documentos para conseguir jogar o Sul-Americano sub-17, em 1999, com a seleção brasileira. Inclusive, foi dele o gol que classificou a equipe canarinho para o Mundial na Nova Zelândia.

    Acabou descoberto após uma reportagem da “Folha de S.Paulo” revelar que a data de nascimento revelada por ele (22 de abril de 1982) e o local onde foi registrado (Glaucilândia-MG) eram falsas. Na verdade, Henrique nasceu em Monte Claros (MG) em 22 de abril de 1980, assim jogou o torneio com dois anos a mais do que o permitido.

    • Anaílson

    O atacante nascido no Maranhão teve a fraude descoberta em 1999 também por uma reportagem da “Folha de S.Paulo”, quando defendia o Rio Branco.

    Com documentos falsos, ele chegou a disputar a Copa do Mundo sub-17, no Egito, pela seleção brasileira. Ele declarava que havia nascido em 8 de março de 1980, ano que lhe permitia participar da competição. A data verdadeira era 1978.

    Chegou a ser suspenso pela CBF, mas continuou a carreira. Foi no São Caetano que viveu o auge, sendo campeão paulista em 2004, vice da Libertadores e do Brasileiro.

    • Sandro Hiroshi

    Talvez o caso mais famoso até então no Brasil. Contratado do Rio Branco em 1999, o então atacante do São Paulo fez com o time tricolor perdesse quatro pontos no Campeonato Brasileiro após ser revelado que ele jogava com documentação falsa.

    A transferência do Rio Branco para o São Paulo estava irregular porque o jogador tinha o passe preso ao Tocantinópolis, onde foi revelado. Durante as investigações descobriu-se que Hiroshi também havia fraudado a idade para poder jogar na base do time de Americana.

    Ele foi suspenso pela CBF e só voltou a jogar em 2000. Ainda passou por Flamengo, Figueirense, Guarani e América-RN, mas nunca mais obteve destaque.

    • Oliveira

    Nascido no Maranhão e naturalizado belga, o atacante Oliveira foi mais um caso de gato envolvendo brasileiros. A descoberta foi da “Folha de S.Paulo”, em 2000.

    Dois anos antes ele havia jogado a Copa da Mundo da França pela seleção belga. Mas apesar da descoberta (ele diminuiu dois anos da própria idade), não foi punido.

    • Clayton

    A exemplo de Oliveira, o lateral esquerdo Clayton, que se naturalizou tunisiano, também reduziu dois anos da idade original para facilitar o início da carreira.

    Ele dizia ter nascido em 21 de março de 1974, mas a data verdade do maranhense era 21 de julho de 1971. A descoberta ocorreu no mesmo ano de Oliveira: 2000.

    Do Maranhão ele foi jogar na Tunísia e depois passou para o futebol francês. Jogou duas Copas: 1998 e 2002. Jamais foi punido pela adulteração.

    • Rodrigo Gral

    O atacante então no Grêmio reduziu dois anos da própria idade alterando a documentação de nascimento e chegou até a jogar da Copa do Mundo de juniores pela seleção brasileira, na Nigéria, em 1999. A falsificação teria ocorrido em 1995 e foi descoberta em 2000.

    Na documentação original, ele tinha data de nascimento em 21 de fevereiro de 1997, enquanto que na documentação adulterada aparecia como 1979.

    Apesar da falsificação, não foi punido. Além do Grêmio, ele jogou por Flamengo, Bahia, Santa Cruz, Chapecoense, entre outros clubes.

    • Elkenson

    O caso foi alterou a documentação para ingressas nas categorias de base do Vitória.

    Nascido em 1989, a certidão de nascimento foi alterada para o ano de 1991. Não chegou a ser punido e seguiu a carreira normalmente.

    • Emerson Sheik

    O atacante na verdade se chama Marcio e o Emerson vem justamente de uma modificação nos documentos para diminuir em três anos a idade verdadeira. A fraude foi descoberta em 2006 pela Polícia Federal quando ele tentava embarcar para os Emirados Árabes.

    Pelo documento falso, Márcio Passos de Albuquerque virou Márcio Emerson Passos e do nascimento em 1978 mudou para 1981. Como punição, teve de desembolsar R$ 70 mil em multa, além de prestar serviços comunitários pelo período de 18 meses.

    A carreira prosseguiu normalmente e chegou a ser campeão no Fluminense, no Flamengo e no Corinthians, onde foi o herói da conquista da Libertadores de 2012.

    • Carlos Alberto

    Um dos casos mais conhecidos, o volante/lateral direito diminiu em cinco anos a idade. Isso fez com que perdesse a oportunidade de defender o São Paulo, que já em 2006 demonstrou interesse no jogador que vinha se destacado no Figueirense.

    A certidão falsa de nascimento ainda colocava que ele nasceu na cidade carioca de São Matheus, inexistente. Mas, apesar de ter adulterado os documentos, ficou seis meses suspenso e prosseguiu a carreira depois e chegou até a defender o Corinthians.

    • Leandro Lima

    Mais uma caso de jogador que disputou torneios de base pela seleção brasileira com a data adultera. O meia Leandro Lima até chegou a ser escolhido o destaque do Mundial sub-20, em 2007, mesmo ano que se transferiu para o Porto.

    Ele dizia ter nascido em 1987, mas na verdade nasceu em 1985. O nome falso era Luis Leandro Abreu de Lima, já o verdadeiro George Leandro Abreu de Lima.

    • Maxwell

    O lateral esquerdo chegou a ser campeão brasileiro pelo Flamengo, em 2009, mas com o nome de Jorbison e com dois anos a menos do que o real.

    A verdade só foi revelada em 2012, quando o próprio jogador confessou ao retornar ao clube rubro-negro de um empréstimo ao Duque de Caxias. Admitiu que havia adulterado a data de nascimento (a falsa era 30 de dezembro de 1991 e a verdadeira era 23 de outubro de 1989) e trocou o nome de Maxwell Batista da Silva para Jorbison Reis dos Santos.

    Por isso teve o contrato rescindindo com o Flamengo e foi jogar no Corinthians-AL. Não foi punido nem o Flamengo penalizado. Mas o jogador jamais conseguiu atuar por outra grande equipe. Passou por Colorado, Guaratinguetá, Desportiva-ES, Sergipe, entre outros.

    • Vanderlei Luxemburgo

    Antes o nome era gravado Wanderley Luxemburgo, mas tudo mudou após ele ser indiciado pela Polícia Federal em 2000 sob a acusação de falsidade ideológica.

    O documento encaminhado à PF tinha como data de nascimento de Luxemburgo 10 de maio de 1952, enquanto o treinador utilizada um documento com data de 1955.

    Segundo reportagem da “Folha de S.Paulo”, o treinador admitiu ter adulterado a idade para poder jogar quando jovem os torneios juniores pela seleção brasileira, como o de Toulon, um dos mais famosos, e poder se destacar no futebol.

    As denúncias ocorreram quando ele estava no comando da seleção brasileira, em 2000, o que gerou uma grande crise na equipe. Posteriomente foi demitido pela CBF.

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