Nefrologista alerta para os riscos da Doença Renal Crônica e destaca a prevenção como melhor caminho para enfrentá-la

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    Médica reforça que a saúde renal comprometida tem um impacto significativo na saúde global de um indivíduo



    Segundo a Sociedade Internacional de Nefrologia, estima-se que atualmente há mais de 850 milhões de pessoas no mundo com doença renal crônica, ou seja, 11% da população mundial. A Doença Renal Crônica (DRC) causa pelo menos 2,4 milhões de mortes por ano, com uma taxa crescente de mortalidade. No Brasil, a estimativa é de que mais de dez milhões de pessoas tenham a doença. A nefrologista e professora do Instituto de Educação Médica (IDOMED), Marília Moreira, fala sobre a doença e alerta para os cuidados, prevenção e fatores de risco.

    A médica explica que as doenças renais têm um impacto significativo na saúde global de um indivíduo. “Os rins filtram o sangue várias vezes ao dia, removendo impurezas e toxinas geradas pelo organismo, pela dieta e por substâncias externas, como medicamentos. Além disso, regulam a quantidade de água, controlam os níveis de sais no corpo, mantêm o equilíbrio ácido-base, regulam a pressão arterial, produzem hormônios essenciais para a produção de células vermelhas do sangue e ativam a vitamina D, crucial para a saúde dos ossos e do organismo como um todo”.

    “Quando a saúde renal está comprometida, todo o nosso organismo sofre. O coração sofre pelo acúmulo de água, com o aumento da pressão arterial, com arritmias pelo desequilíbrio nos sais e ácidos do corpo; o pulmão sofre por acúmulo de água; o cérebro devido às toxinas aumentadas; o trato gastrointestinal, com manifestações como náuseas, vômitos, falta de apetite; os ossos são comprometidos; os pacientes apresentam anemia, alterações na imunidade, maior risco de sangramento; etc”, complementa.

    Sintomas

    Segundo a nefrologista, a doença renal crônica costuma ser muito silenciosa, apresentando sintomas já em uma fase mais avançada. “Quando o paciente começa a ter sintomas da doença renal crônica, em geral, eles já são secundários às suas complicações. O paciente pode apresentar fraqueza, indisposição, cansaço, redução do apetite, náuseas, vômitos, sonolência, redução do volume urinário, presença de sangue na urina, urina com muita espuma, inchaço pelo corpo, falta de ar, pressão arterial elevada, entre outros. O ideal é que todos, principalmente, os pacientes de risco para doença renal, façam acompanhamento médico e exames regularmente, para ter diagnóstico mais precoce”, ressalta.

    Fatores de risco

    A médica expõe e chama a atenção para alguns fatores de risco importantes. “Os principais fatores de risco são: Hipertensão Arterial, Diabetes, Obesidade, tabagismo, doença cardiovascular (história de infarto, AVC, aterosclerose – placas de gordura nas artérias), idade avançada, história familiar de doença renal, doenças autoimunes (como Lúpus), alteração em exame de urina, alterações na estrutura do trato urinário. Ao tratar essas condições, podemos promover uma saúde renal significativamente melhor”, destaca.

    Dieta, estilo de vida e prevenção

    Moreira também ressalta que a dieta e o estilo de vida têm papel importantíssimo na saúde, fazem parte das principais medidas para prevenir a doença renal, e quando instalada, são essenciais no seu tratamento. “Para manter a saúde dos rins, devemos manter uma alimentação com pouco sal, uma ingestão adequada de água (para pessoas saudáveis, pelo menos 35 ml/Kg/dia), evitar exageros com proteína de origem animal, principalmente carne vermelha, comer frutas e verduras regularmente, evitar refrigerantes, bebidas alcoólicas e alimentos processados, controlar a gordura na alimentação. Também é importante não fumar, fazer atividade física regularmente e manter o peso controlado”, enfatiza.

    Dia Mundial do Rim

    O Dia Mundial do Rim, celebrado em 14 de março, desempenha um papel fundamental na sensibilização sobre a importância da saúde renal. A médica destaca a relevância da conscientização sobre a doença.

    O Dia Mundial do Rim foi instituído em 2006 pela Sociedade Internacional de Nefrologia com o propósito de conscientizar sobre a importância dos rins e da prevenção das doenças renais. É celebrado globalmente na mesma data por meio de uma variedade de atividades que engajam a população, visando promover os cuidados com a saúde renal, a realização de exames e o diagnóstico precoce. Este ano, o tema do Dia Mundial do Rim no Brasil é “Saúde dos rins e exame de creatinina para todos – porque todos têm o direito ao diagnóstico e acesso ao tratamento”, pontua.

    “Dessa forma, é reforçada a importância de que todos lembrem da saúde renal e que seja feito o exame de creatinina no sangue (principal exame para avaliar função renal) como um direito de todos. Pois a doença renal crônica é silenciosa e a maioria dos pacientes portadores desconhecem que a possui, e a dosagem da creatinina é uma forma barata e acessível para um diagnóstico precoce e início do tratamento”, complementa e finaliza a nefrologista Marília Moreira.

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